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goncalvejarco

Navegador. Trabalhei com figuras de renome, como Infante D. Henrique, Bartolomeu Perestrelo, Tristão Vaz Teixeira, Capitão Iglo, etc.

Restaurante hospitalar

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Há um restaurante vegetariano onde vou de vez em quando que me causa um certo desconforto. E no outro dia percebi porquê. Porque tem um ar demasiado asséptico. A senhora que nos atende ao balcão está de bata branca, luvas de látex e touca na cabeça. Até o rapaz da caixa registadora tem bata branca. Toda a gente ali tem bata branca. Aquilo não parece um restaurante, parece um hospital.

 

E toda aquela brancura faz-me impressão. Sinto que os funcionários tanto podem servir-me um tofu como espetar-me uma injecção de brócolos ou medir-me a tensão vegetal. Só falta um acamado a um canto com soro de chá verde para tornar aquilo mais arrepiante.

 

É compreensível que queiram dar um ar de comida saudável, mas não exageremos. Se o sabor não prestar, bem podem transformar aquilo num centro de saúde que não adianta. O que vale é que a comida é boa. Até pus uma crítica no Tomates a dizer: “Boa comida em ambiente muito hospitalar.” Claro que veio logo um daqueles nazis da língua armado em esperto: “Não querias dizer ambiente hospitaleiro?” Não, pá, queria mesmo dizer o que disse, porque os funcionários do espaço, além de simpáticos, são de facto muito hospitalares.

 

É pela simpatia e qualidade que me vou aguentando por lá. Mas por vezes dá-me vontade de sair dali directamente para um restaurante carnivoriano, todo estercoso – com beatas e escarros no chão como as tascas antigas –, que sirva rojões com batido de porco e mousse de chouriça.

Conclusões sobre insultos em pavilhões desportivos

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Há uns tempos fui com os meus filhos ver um jogo de basquetebol e outro de andebol, para variar do futebol, e as conclusões a que chego no que toca a insultos aos árbitros em pavilhões são as seguintes:

- Não fazia ideia, mas os insultos aos árbitros parecem muito mais presentes dentro de um pavilhão do que num estádio de futebol cheio de gente. É outra qualidade de som em recinto fechado. Para quem exige qualidade no insulto recomendo desde já pavilhões. E para os árbitros também deve ser uma experiência muito mais enriquecedora, porque, enquanto num grande estádio os palavrões atirados das bancadas se confundem numa amálgama de ruído e chegam ao relvado em péssimo estado, num pavilhão, além de os árbitros usufruírem da boa acústica do espaço, têm o privilégio de estar mesmo em cima dos fãs, ouvindo tudo o que lhes dizem de forma cristalina e quase personalizada. É uma maravilha.

 

- Não há grande novidade em matéria de insultos, pelo menos a avaliar pelos jogos que vi. No geral, só passaram os velhos êxitos da injúria. No jogo de andebol tudo começou com um tímido “cegueta” aqui, um “palhaço” acolá, passando pelo mais zoológico “camelo” ou pelo sempiterno “gatuno”, esse fóssil vivo do insulto, até escalar para os mais escabrosos, e igualmente clássicos, “cabrão” e “filho da puta”. O mais original que ouvi foi uma elaboração do insulto zoológico, talvez a melhor frase da tarde: “Há bocado eras camelo e agora ainda és mais.” Mas mesmo esse pecou por falta de convicção, porque foi dito como quem tira uma pipoca do balde para se ir distraindo. Se calhar porque em tempos foi um grande sucesso do insulto, mas agora já é um êxito requentado.

 

- Homens, mulheres, jovens e velhos, todos insultam. Nesse aspecto é democrático. E dá gosto ver como aos poucos se gera um sentimento de comunidade na bancada, uma camaradagem do insulto, que a todos agrega no bonito acto de lapidação verbal dos árbitros.

 

- O problema dos insultos é que podem tornar-se incómodos, especialmente se tivermos ao nosso lado criancinhas que, apesar de terem o seu arsenal de palavrões, não estão preparadas para aquele festival de asneiredo. A certa altura gera-se uma avalanche de perguntas naqueles pequenos cérebros, como “Papá, aquele senhor disse a palavra p-u-t-a?” ou “Posso chamar nomes àquele senhor muito grande que chamou nomes ao árbitro?”, que são perguntas muito válidas, mas que não me permitem ver o jogo nas melhores condições técnico-tácticas. Como tal, proponho a criação de zonas de insultadores e zonas de não insultadores, para que alguns tenham um local próprio para soltar o seu “camelo” à vontade e para que eu possa ver o jogo sem sentir que estou numa conferência de imprensa da pequenada.

Casal de pedófilos

Eu e a minha mulher estamos numa fase de escolher escola para uma das nossas crianças, que vai mudar de ano e tem de sair de onde está.

Então um dia destes, ao passar por uma das escolas possíveis, aproveitámos para nos aproximarmos do recreio da escola de forma meio clandestina e espreitar lá para dentro, para ter uma ideia do ambiente.

Parecíamos um casal de pedófilos, encostados às grades, a observar avidamente crianças a brincar no recreio. E dizia-me ela:

- Vê lá se estão fardados.

- Olha, aquele não está.

- Boa, deixa ver! Eu gosto deles sem farda.

Se nos apanhassem ali, naqueles preparos, não sei se não teríamos de responder perante a justiça. Foi muito arriscado.

Ter filhos ou ter cães, uma escolha informada

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Actualmente, há muita gente que hesita entre ter um filho ou um animal de estimação. No seu caso, se a dúvida é entre ter uma criança ou um cão, há algumas coisas importantes que deve saber:

 

- As crianças não largam pêlo como os cães. Mas algumas nascem cabeludas, o que pode ser assustador.

 

- Os cães têm focinho húmido, as crianças também.

 

- As crianças não precisam de açaime e trela. A não ser que seja uma criança de raça perigosa.

 

- Se atirar um pau a um cão, ele apanha. Se atirar um pau a uma criança, ela aleija-se.

 

- A frase “ele não faz mal” devia aplicar-se tanto a cães como a crianças. Ou mesmo a adultos. “É teu irmão?” “Sim, mas ele não faz mal.”

 

- Todos os pais sonham em tratar as crianças como cães. Dizia-se “Deita!” e elas iam para a cama.

 

- A vantagem de um cão adoptado é que não quer conhecer os pais.

 

- Os cães não se metem na droga. Só snifam rabos.

 

- Os cães ajudam a combater a solidão. Os filhos ajudam a ansiar por solidão.

 

- Há crianças que gostam dos cães como se fossem membros da família. E há cães que gostam de comer membros de crianças da família.

 

- Há quem treine os cães para dar a pata. Há quem treine os filhos para dar netos.

 

- Os cães, se os deixarmos sozinhos em casa, muitas vezes dormem. As crianças, se as deixarmos sozinhas em casa, muitas vezes matam-se.

 

- Os cães parece que nos entendem. Os filhos também.

 

- Os cães ladram. A caravana passa.

 

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