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goncalvejarco

Navegador. Trabalhei com figuras de renome, como Infante D. Henrique, Bartolomeu Perestrelo, Tristão Vaz Teixeira, Capitão Iglo, etc.

Pordata, o que realmente interessa

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É indiscutível que a Pordata, a base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos – oficialmente a fundação com o nome mais chato e comprido à face da Terra –, é uma mais-valia para todos nós. Melhor que a Pordata só mesmo a Porbatata, da qual não falarei agora, mas cujo site recomendo (http://www.porbatata.pt). 

 

No entanto, falta algum sal à maioria dos tópicos da Pordata. Foi preciso peneirar bastante para encontrar alguma coisa que valesse realmente a pena perscrutar. Como é de prever, lá está a preciosa taxa de mortalidade infantil, indicador em que Portugal fez enormes progressos nas últimas décadas, tal como já foi amplamente divulgado. Aliás, de tal forma divulgado e repisado, que parece que o país não fez mais nada digno de orgulho estatístico nos últimos 50 anos.

 

O que não é verdade. Fizemos grandes avanços também no número de caixas multibanco. Passámos de uma caixa multibanco (MB) por cada 1216 habitantes em 2001, para uma caixa MB por cada 848 habitantes em 2016 (últimos dados disponíveis). Uma melhoria notável em todos os aspectos.

 

Portugal reúne neste momento excelentes condições multibanco. Exemplo disso é a Ilha do Corvo, nos Açores, paraíso do multibanco português, com uma caixa MB por cada 230 habitantes. Uma média impressionante, que se traduz no belíssimo total de duas caixas em toda a ilha. Esperemos que uma delas não esteja numa escarpa. Outro sítio que recomendo é o município de Mourão, no Alto Alentejo, com o impecável rácio de uma caixa MB por cada 418 habitantes. Se passar por lá não perca a oportunidade de fazer um levantamento, porque vale muito a pena. São cada vez mais os turistas que fazem um desvio até lá, o que demonstra bem a vitalidade do turismo multibanco.

 

Por sua vez, quem estiver muito aflito ou aflita para realizar uma operação multibanco deve evitar o município de Penalva do Castelo, no norte do país, que tem uma mísera caixa automática para cada 2462 habitantes. É talvez o pior sítio para a prática do multibanco, a não ser que a população viva muito concentradinha, em feliz consanguinidade. Assim fica difícil consultar o saldo no ecrã ou obter uma licença de pesca submarina. Sim, é possível obter licenças de caça e de pesca no MB. Aqui fica uma informação valiosa para toda a família.

 

Mas a desgraça de Penalva do Castelo não se fica por aqui, porque também é uma terra péssima a divorciar-se. Apenas 23 divórcios em média por cada 100 casamentos de 2011 a 2016, quando a média nacional neste período é de 72 divórcios por 100 casamentos, segundo os últimos dados disponíveis (os valores de 2014 a 2016 são provisórios, mas eu uso na mesma, porque sou um maroto). Ou a conservatória de Penalva não dá vazão aos pedidos de divórcio ou aquilo é gente que não separa os trapinhos nem por nada. Se calhar é da consanguinidade, provocada pela falta de multibancos. Mais a sul do país, Sobral de Monte Agraço já tem um parque infantil, mas continua com fracos níveis de divórcio. E Alcochete deu-lhe com força no descasamento em 1995, mas desde aí tem vindo a desinteressar-se.

 

A melhor sequência de divórcios dos últimos anos vai para o município de Aljustrel, com a incrível média de 200 divórcios por cada 100 casamentos de 2011 a 2016. Parabéns, Aljustrel! Que grande desempenho! Isso significa que, por cada um que se casa, há dois que se descasam. São excelentes números, de facto. Destaque também para Almodôvar que, após algumas hesitações, se divorcia agora a bom ritmo. E uma palavra para o município de Santa Comba Dão, berço do nosso ditador preferido, que apesar de estar numa região pouco dada ao divórcio, exibe uma robusta média de 60 divórcios por cada 100 casamentos de 2011 a 2016. Salazar ficaria babado.

 

Passemos agora ao desporto, como diria um apresentador de telejornal. Chegam-nos notícias tristes da columbofilia, essa modalidade cujo nome faz lembrar abusadores de pombos, porque o número de praticantes federados caiu para menos de metade em pouco mais de uma década. Eram cerca de 18.000 em 2003 e em 2016 tinham decrescido para 8600 praticantes. É importante redescobrir este desporto, em que somos vice-campeões olímpicos na categoria de velocidade, através de obras de referência como “Columbofilia e um sorriso”, de Mário Carlos Areosa.

 

Mais optimista é o cenário no andebol, cujo número de praticantes tem aumentado nos últimos anos. Curiosamente, mais ou menos a par da subida da população com mais de 75 anos (https://www.pordata.pt/DB/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Gr%C3%A1fico/5748661). O que nos permite concluir que as pessoas tendem a jogar andebol com a idade.

 

Resta-me sugerir à Pordata que acrescente mais informação relevante, para que se torne num portal verdadeiramente interessante e completo. É inadmissível que não tenha indicadores como o n.º de pessoas que pedem sandes de queijo com manteiga por cada 100 habitantes, o n.º de calças de gangas per capita ou o n.º de habitantes que conhecem pessoalmente o Capitão Iglo em percentagem do PIB.

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